Por conta do período chuvoso, Instituto intensificou o monitoramento da qualidade da água; Vale também foi orientada.

Em fevereiro de 2019, análise de fundação afirmou que o rio estava morto no trecho que corta Pará de Minas.

Dragas foram usadas para retirar rejeito do Rio Paraopeba, que teve seu uso suspenso após tragédia Raquel Freitas/G1 O uso da água bruta do Rio Paraopeba, entre Brumadinho e Pompéu, continua suspenso de acordo com o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam).

Nesta semana, o Igam divulgou que intensificou o monitoramento da qualidade da água bruta do Rio, além de ter determinado à Vale que reforce as análises.

O trecho tem aproximadamente 250 km de distância do rompimento da barragem B1, da Mina Córrego do Feijão, que completou um ano em janeiro deste ano.

A tragédia vitimou 270 pessoas, 259 já foram identificadas por peritos, outras 11 vítimas seguem desaparecidas.

Em nota enviada ao G1 nesta sexta-feira (14), a Prefeitura de Pompéu esclareceu que o Município não tem recursos próprios para realizar análises periódicas da qualidade da água e segue as recomendações do Igam.

A última recebida pelo Município foi Boletim Informativo do Cidadão nº 7, de janeiro de 2020.

O Executivo enviou à reportagem o texto da recomendação, leia abaixo. “A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), a Secretaria de Estado da Saúde (SES) e a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) recomendaram que a população não fizesse uso da água bruta do Rio Paraopeba, no trecho que abrange os municípios de Brumadinho até Pompéu, para nenhuma finalidade e determinou, ainda, que a empresa responsável pela barragem suprisse a população com água em condições seguras para os mais diversos usos.

Essa recomendação vigora até os dias atuais, e foi respaldada pelo monitoramento executado pelo Igam, Copasa e CPRM/ANA". A reportagem também procurou o Igam para saber a situação do monitoramento do Rio em Pompéu e Pará de Minas, mas não houve retorno até a publicação desta matéria. Água imprópria para consumo No dia 25 de janeiro de 2020 o rompimento da barragem em Brumadinho completou 1 ano.

Na data, o G1 conversou com o biólogo José Hermano Oliveira Franco sobre a qualidade do Rio Paraopeba, um dos locais atingidos pela lama da barragem.

O rio é um dos afluentes do Rio São Francisco e era utilizado como principal fonte de captação de água para abastecimento de Pará de Minas, deixando outros municípios banhados pelo rio em estado de atenção.

De acordo com José Hermano, a água do rio continua imprópria para consumo, pois ainda há lama da barragem alojada em boa parte do Rio na parte que passa por Pará de Minas. “Não sabemos o tanto de lama que está dentro do rio, porque veio descendo ao longo de vários quilômetros e foi se alojando no fundo do Rio.

O Paraopeba recebeu uma carga muito grande destes rejeitos, eles continham diversos tipos de metal, isso foi constatado por laudos emitidos IGAM [ Instituto Mineiro de Gestão das Águas] na época”, destacou o biólogo. Rejeito se acumula nas margens do Paraopeba Raquel Freitas/G1 O biólogo disse também que apesar de ainda haver vida no rio, em boa parte dele a situação não é favorável. “A mortandade inicial de peixes se deu por causa do arraste que ela lama foi fazendo.

Contudo, esses metais pesados contaminam os animais ou quem os ingere de forma mais lenta, então como ainda temos lama dentro do Rio e temos peixes, é provável que estes peixes estejam contaminados.

E isso é dramático porque vira uma loteria ao contrário, o rio vai tem peixe e as pessoas vão ver como aparentemente era antes, mas não vamos poder consumir nada”, declarou o especialista. Análises na qualidade da água Na terça-feira (11), o Igam divulgou ter intensificado as análises na qualidade da água e orientou que a Vale fizesse o mesmo.

Para a empresa, a indicação é a ampliação imediata e avaliações diárias em três novos pontos do Rio Paraopeba, próximo à confluência com o Rio São Francisco, no reservatório de Três Marias e na região Central de Minas Gerais.

Conforme o Instituto, os três novos pontos que devem ser monitorados ficam no braço do reservatório, a montante da confluência do Ribeirão do Peixe; no braço do reservatório, a jusante da confluência do Ribeirão do Peixe; e dentro do reservatório de Três Marias, a jusante do encontro dos rios Paraopeba e São Francisco. Em nota divulgada no site, o Instituto explica que “desde o início de novembro, com a chegada do período chuvoso, o Igam intensificou o acompanhamento sistemático dos resultados do monitoramento da qualidade da água da sua rede própria, incluindo a região do reservatório de Três Marias.

O trabalho visa verificar quaisquer anomalias que possam indicar, na água, a presença de partículas do rejeito, provenientes do rompimento da barragem B1, em Brumadinho”.

O Igam afirmou que no período chuvoso, entre os meses de dezembro e janeiro, houve um acúmulo de água das chuvas na bacia do rio Paraopeba, o que ocasionou no aumento das concentrações de turbidez e manganês a jusante da Usina Hidrelétrica (UHE) Retiro Baixo e no braço de entrada do Rio Paraopeba no reservatório de Três Marias. “As alterações não apresentam limites que levam à necessidade de suspensão dos usos”, destaca a nota divulgada. No trecho da UHE Retiro Baixo ao reservatório de Três Marias há 63 usuários de água regularizados pelo Igam; sendo 13 de captação subterrânea e 40 de captação superficial.

Entre estes últimos, 39 são de uso insignificante, ou seja, de pequenos usos. Monitoramento dos peixes Ainda na mesma nota divulgada, o Igam reforçou que o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) também acompanha a situação dos peixes na Bacia do Paraopeba, monitorando os resíduos de metais pesados na criação de peixes em cativeiro na barragem de Retiro Baixo e no lago de Três Marias. Desde fevereiro de 2019, mais de cinco mil amostras de filé e fígado de tilápias criadas em tanques foram analisadas. Nos levantamentos feitos não foram encontradas alterações que indicassem o risco no consumo do pescado.

As análises continuarão, por tempo indeterminado, por conta das alterações ambientais ocasionadas pelo período chuvoso.

O que diz a Vale A Vale enviou uma nota ao G1 sobre a situação.

Leia na íntegra. A Vale já iniciou o monitoramento em três pontos adicionais do rio Paraopeba, conforme solicitado pelo Igam.

Dois desses pontos estão localizados no braço do rio Paraopeba e um a jusante do reservatório de Três Marias. A Vale monitora a água do rio Paraopeba desde janeiro de 2019.

Atualmente, são cerca de 90 pontos de monitoramento, no rio Paraopeba, 10 de seus afluentes, incluindo o ribeirão Ferro-Carvão, e o São Francisco até sua foz no oceano Atlântico, além de sondas instaladas nos reservatórios das usinas de Retiro Baixo e Três Marias.

Já foram realizadas cerca de 4,5 milhões de análises de água, solo e sedimentos em aproximadamente 40 mil amostras para análise de diversos parâmetros, como a presença de metais na água, pH e turbidez.

A Vale segue monitorando a água do rio Paraopeba e reforça que as análises e medições são reportadas sistematicamente ao Igam. Adicionalmente, a Vale firmou, no final de novembro do ano passado, Termo de Compromisso com o Ministério Público de Minas Gerais e Igam transferindo ao órgão ambiental as atividades de monitoramento.

Conforme acordado, o trabalho será auditado e, depois, a Vale suportará o Igam na realização dos monitoramentos sobre a qualidade de água e sedimentos na Bacia do rio Paraopeba e no rio São Francisco durante 10 anos. Rompimento Barragem A barragem B1, da Mina Córrego do Feijão, se rompeu em 25 de janeiro e vitimou 270 pessoas.

Peritos já identificaram 259 mortos e 11 ainda pessoas ainda seguem desaparecidas.

A Polícia Civil de Minas Gerais disse, em 28 de novembro de 2019, que havia concluído o laudo sobre o desastre.

Um estudo técnico, realizado por uma empresa contratada por um escritório de advocacia que atende a Vale, confirmou que a causa do rompimento da barragem da mineradora em Brumadinho foi “liquefação” - situação que ocorre quando um material sólido passa a se comportar como fluido.

Em entrevista concedida pelo presidente da Vale, Fábio Schvartsman, na época, ele destacou que vazaram 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos - na tragédia de Mariana, há 3 anos, foram 43,7 milhões.

A barragem que rompeu não era usada há três anos.

Ainda na época, o Governo de Minas Gerais enviou equipes até Brumadinho para um trabalho de força-tarefa que durou mais de 100 dias.

Rompimento de barragem da Vale em Brumadinho foi registrado em janeiro de 2019 TV Globo/reprodução Obras em Pará de Minas A Vale assinou em março de 2019 um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Prefeitura de Pará de Minas, assumindo a responsabilidade pela realização de obras que garantiriam o abastecimento de água do município. O TAC previa que a Vale refizesse a captação de água para o município a partir do Rio Pará.

Para tanto, era necessário a construção de uma adutora de 47 km de extensão.

Além disso, o acordo previa que fosse feito um reservatório com, no mínimo, 50 milhões de litros d’água para suprir as necessidades de abastecimento do município durante o período de estiagem. Em relação a essas obras, em nota a Mineradora informou ao G1 que já a construção da adutora está em andamento, e o projeto está com 45% de avanço físico.

Ainda em nota, a Vale destacou que "atualmente 445 trabalhadores, sendo 40% de mão de obra local e cidades vizinhas, atuam nas frentes de obras.

Os investimentos no empreendimento são de cerca de R$ 130 milhões".

A conclusão das obras estão previstas para julho desse ano, o empreendimento será entregue à Prefeitura de Pará de Minas e operado pela Concessionária Águas de Pará de Minas. "Ações emergências previstas pelo TC já foram implementadas, como a construção de cinco poços artesianos e uma captação superficial para abastecimento do município.A companhia também fornece água potável e mineral para propriedades que captavam diretamente do Paraopeba e não possuem água encanada, ou ainda para quem captava em poços e cisterna a até 100 metros da margem do rio.

Até 21 de janeiro, já foram entregues mais de 900 mil litros de água potável por meio de caminhões-pipa e fardos de água mineral para famílias de Pará de Minas elegíveis", esclareceu a nota A Prefeitura informou ao G1 que está acompanhando as obras, e até o momento, os prazos segue conforme ajustados no TAC.

Análises No dia 4 de fevereiro de 2019, uma análise feita por uma equipe da Fundação SOS Mata Atlântica afirmou que o Rio Paraopeba estava morto no trecho que corta Pará de Minas.

Para tentar conter os rejeitos, a Vale instalou três barreiras de contenção ao longo do curso do rio na cidade.

No entanto, a análise revelou que as barreiras continham apenas 95% dos rejeitos. No mesmo dia, o prefeito Elias Diniz decretou situação de emergência em Pará de Minas devido aos prejuízos causados pela contaminação da água. O relatório final das análises feitas pela equipe da Fundação, divulgado no dia 27 de fevereiro, revelou a presença de metais pesados na água do rio e afirmou que a água do rio estava imprópria para consumo em uma extensão de 305 km.